Quando Nos Conhecemos Você Não Era Assim

Meditação do tantra arcano 8 de Espadas sob a influência de Mercúrio

Relacionamento que se preze não pode estar enquadrado num modelo ditado pela cultura, pela tradição, pela religião, pela moral vigente, pela sociedade enfim… Todo relacionamento enquadrado é um relacionamento morto. Se relacionar de verdade é se mover por uma região totalmente desconhecida. A cada dia você é novo, e o relacionamento também. A mutação é constante. Não importa o tempo de duração do seu relacionamento. É de 1 ano, 5 anos, 10 anos, 25 ou mais? Não importa. É sempre novo. Mas a mente velha, o ego velho (o ego sempre é velho) mantém o que é vivo e inseguro dentro de uma caixa, de uma garrafa, ou algo que o valha. O ego quer segurança, quer ter a certeza de que a pessoa que ele conheceu, um dia, será sempre a mesma. Ora, uma pessoa para ser sempre a mesma, só pode ser uma pessoa que abdicou do seu crescimento. Todo crescimento implica em mudança. Uma árvore em crescimento, a cada dia, a cada semana, se apresenta de uma forma diferente.

Quando nos conhecemos você não era assim

E aqui eu falo de um crescimento muito maior do que crescimento apenas profissional, financeiro, cultural, social… Eu falo de crescimento consciencial, ou pessoal, no seu último grau. Esse crescimento não pode ser medido com as ferramentas da racionalidade nem com os impulsos dos sentimentos. Somente com a percepção mais ampla e profunda, que se encontra além dos pensamentos e dos sentimentos, é que podemos perceber e sentir de fato esse crescimento acontecendo, tanto em nós mesmos quanto em nossos (as) parceiros (as). E como se processa o crescimento consciencial ou espiritual? Vamos tomar como parâmetro o crescimento profissional. Para crescermos profissionalmente, precisamos adquirir conhecimentos e informações especializados, e os exercitarmos com inteligência e persistência no nosso dia a dia profissional. No crescimento consciencial ou espiritual o processo é inverso. Não é através da aquisição nem da conquista, e sim através do desapego e da entrega que esse crescimento pode acontecer.

Quando nos conhecemos você não era assim

Imagine uma cebola. A cada dia você tira uma camada da cebola. Ela vai revelando outras camadas que antes não eram conhecidas. Assim é individualmente e também num relacionamento. Tem gente que reclama dos (as) seus (as) parceiros (as): “Você mudou, quando eu te conheci você não era assim.” É claro, as camadas da cebola (inconsciente) do outro certamente estão sendo retiradas ou caindo. Alguém já falou, não lembro agora, que as pessoas não mudam, elas apenas se revelam. De fato, e se a pessoa permite mais desapego, mais libertação do ego condicionado, cada vez mais camadas do inconsciente vão sendo retiradas e reveladas à claridade da consciência. Assim, se o seu parceiro ou parceira estiver revelando comportamentos ou atitudes diferentes daqueles que tinha quando vocês se conheceram, lembre-se de que isso é perfeitamente natural. Ele ou ela sempre foram assim, apenas estão se revelando…

Quando nos conhecemos você não era assim


Vejamos o que diz o tantra arcano 8 DE ESPADAS! Geralmente, no início do relacionamento, o casal mostra, um para o outro, somente coisas boas e encantadoras; mas, passado o período inicial – que varia de casal para casal, começam a surgir as atitudes feias e broxantes em todos os sentidos. Essa é a segunda camada da cebola (inconsciente). A maioria dos indivíduos num relacionamento estaciona aí. E os relacionamentos também estacionam aí, pois se habituam e se apegam a esse comportamento neurótico um do outro. O 8 DE ESPADAS valoriza a segurança e o equilíbrio, geralmente à custa da liberdade e da expansão da consciência. Mas, se você se tornar ciente de que a sua segurança e o seu equilíbrio não passam de fachada e de prisão, você estará pronto para deixar a segunda camada cair, ir embora, e aí ninguém mais lhe segura, minha irmã e meu irmão.

Quando nos conhecemos você não era assim


E qual é a influência de MERCÚRIO nisto tudo? No sentido negativo é o autoengano das aparências. Faz de conta que está tudo bem, as pessoas se apegam à segunda camada com medo da autodescoberta, do autoconhecimento, e do que o outro ainda pode revelar de estranho e desconhecido. No sentido positivo é a sensação de que, quanto mais camadas você deixar cair, mais leve, livre e em paz você se sentirá. Quanto mais camadas você avançar em direção ao seu centro, mais próximo você estará do seu deus interior que, em última instância, é você em essência. Assim, aceite o risco do crescimento, avance para a terceira, para a quarta, para a quinta, enfim, para todas as camadas do inconsciente rumo ao centro onde não existe mais nenhuma camada, onde só resta o vazio pleno de novas possibilidades. MERCÚRIO, o mensageiro dos deuses, assim falou e revelou.

Primeiro Temos Que Ser Egoístas Para Vivenciarmos O Amor

Expressar o sentimento, seja ele qual for, expressar o amor. Sim, amor… E não importa como for, o importante é expressar. Mas o que é amor? Para mim, amor é tudo o que há. Até o ódio? Sim, o amor também contém o ódio. É meio doido para a mente, não é mesmo? Porém, essa é a minha abordagem neste momento. Meditação não é agradar à mente, meditação é deixar a mente bem confusa. Dizer que o amor contém o ódio é confuso, é paradoxal. Assim, qualquer um de nós, meros mortais, temos capacidade de amar, senão somente os iluminados e santos têm acesso e podem expressar esse amor inatingível. Ora, deve ter vários graus de amor, tu não achas? Imaginemos o amor como uma escada que nos leva ao céu. Uma mega escada, bota escada nisso… Tanto o primeiro quanto o último degrau são feitos de amor, apesar do primeiro ser um amor menor.

Primeiro temos que ser egoístas para vivenciarmos o amor

Não se diz por aí, em círculos mais esclarecidos, que não há mal, apenas o bem, e que o mal que conhecemos, não passa de um bem menor? Penso que assim é também com o amor, pois bem e amor são uma coisa só. Os amantes se chamam de amor e de benzinho, que delícia…! O tantra inclui tudo. A mensagem do tantra arcano Ás de Copas é clara. Deixa jorrar a água como ela está fluindo em ti, não queira jorrar um tipo ou qualidade de água que não está fluindo… Se tu forçares a barra, somente reforçará a falsidade e a hipocrisia na tua vida. O primeiro passo para vivenciar o amor é senti-lo por ti mesmo. Se tu não consegues te amar, meu chapa, como tu vais amar outra pessoa? Primeiro temos que ser egoístas para depois sermos altruístas; esta é a ordem do caminho natural.

Primeiro temos que ser egoístas para vivenciarmos o amor

E como proceder para termos amor próprio? Se amar por inteiro… porque se tu amares somente as tuas coisas bonitinhas, aí não tem jeito. Somos luz e sombra. Tudo o que existe nesse mundo, faz sombra. Se amarmos somente o nosso lado luz, seremos seres pela metade, meia boca, meia foda. E tem mais: quem analisa e classifica o que é luz e o que é sombra é a mente. A mente sabe muito pouco porque ela é condicionada e limitada, por mais conhecimento que tenha. Aquilo que a tua mente/ego acha que é luz, pode não ser; assim como aquilo que ela acha que é sombra, pode não ser. A moral cósmica é muito mais ampla do que a moral humana. Há uma única forma de nos amarmos como um todo: permanecermos no presente, no aqui e agora.

Primeiro temos que ser egoístas para vivenciarmos o amor

Dizem os pesquisadores da mente humana que cada mente pensa uma média de 50.000 a 60.000 pensamentos diferentes por dia. São pensamentos em excesso que drenam a nossa energia e lucidez. A grande maioria deles são julgamentos e comparações. Precisamos ficar atentos para podermos pegar os pensamentos em flagrante. Fica com o fato, seja ele qual for que esteja acontecendo AGORA. Presta atenção à tua respiração, ao teu corpo, ao teu estado emocional, às pessoas e objetos à tua volta, à atividade que estás realizando, enfim, a tudo o que estiver acontecendo no teu momento presente. Os pensamentos virão, para interpretar e julgar o que está acontecendo contigo. Fica atento! Não dá atenção a eles, deixa eles passarem e se perderem no abismo. Fica contigo mesmo, aqui e agora. Somente assim tu poderás te amar de verdade. Com a prática, o amor por ti mesmo vai crescendo… e, de repente, sem planejares nada, este amor estará se derramando para os outros.

  • Joel Munhoz (Olói)