Relacionamentos Tântricos / O Ideal E O Real

Há relacionamentos e relacionamentos. Mas como serão ou ocorrerão os relacionamentos tântricos ou à luz do tantra? É sempre bom lembrar que tantra é tudo o que é espontâneo e natural. Assim, tudo o que é forçado ou condicionado a ser desse ou daquele jeito para agradar esse (a) ou aquele (a) não é tantra. Há muitos ideais e ideologias por aí… Geralmente os relacionamentos, e principalmente os casamentos, seguem uma linha de conduta ditada pela cultura de uma determinada sociedade. Para nos relacionarmos tantricamente é necessário, então, nos despirmos das personas psicológicas para que possamos nos entregarmos para o relacionamento de forma autêntica.

Relacionamentos tântricos / o ideal e o real

Porém, primeiro é necessário aprendermos a viver sozinhos. Você precisa se amar por inteiro. Não adianta você amar somente a sua parte boa e detestar a sua parte ruim. Se amar de verdade é amar tanto os seus anjos quanto os seus demônios. Assim você será uma pessoa inteira que se bastará a si mesma, não dependerá do outro para ser inteiro ou feliz. Uma pessoa que se sente uma metade sempre procurará outra metade para ser completa. Isso gera dependência e todos os jogos de poder para se ter segurança de que aquela pessoa (sua metade) será sua para sempre. Esse é o amor apego baseado na posse, muito conhecido como amor romântico.

Relacionamentos tântricos / o ideal e o real
Tantras arcanos 10 A RODA DA FORTUNA e 6 DE ESPADAS

Mas… se você está num relacionamento e ainda não aprendeu a se amar primeiro, fique onde está para começar de onde está. Lembremos a máxima tântrica e zen: tudo o que é, é. Tudo o que está acontecendo agora é exatamente o que deveria acontecer. Vejamos, então, como você pode fazer o seu relacionamento se tornar tântrico! O tantra arcano 10 A RODA DA FORTUNA pode nos auxiliar a compreendermos melhor. A roda, no seu aro externo, representa as mudanças inevitáveis da Vida. No seu eixo interno representa o seu centro, a sua essência divina imutável. Assim, precisamos nos adaptarmos às mudanças externas sem perdermos a nossa essência jamais. Isso tanto na nossa vida individual quanto nos nossos relacionamentos íntimos, sexuais, amorosos.

Relacionamentos tântricos / o ideal e o real

Você precisa refletir profundamente: até que ponto, no seu relacionamento, você está se adaptando ou você está se violentando somente para agradar o outro. Ou, até que ponto, você está forçando o outro a se comportar de uma maneira que está violentando a sua própria natureza? O tantra arcano 6 DE ESPADAS mostra os relacionamentos idealizados. O tantra, nesta carta, diz: abandone os ideais de relacionamento (fórmulas prontas) e caia na real, construa a sua própria fórmula de relacionamento. Invista na intimidade com o outro. Mas, às vezes, você tem intimidade afetiva e amorosa com o parceiro (a), mas o mesmo não acontece no plano sexual. Assim, é justo que você tenha outra pessoa para realizar as suas necessidades sexuais.

Relacionamentos tântricos / o ideal e o real

Nós somos seres poligâmicos por natureza. A monogamia é uma imposição social. Temos que dar um jeito para transgredirmos estas regras sociais, morais e religiosas, para podermos seguir o nosso coração. A fidelidade é importante? Mas é claro, mas, antes de mais nada, você deve ser fiel com você mesmo (a). Como ser fiel com o outro se não se é fiel consigo mesmo? O seu parceiro (a) de relacionamento estável deve saber do seu outro relacionamento? Sim, se ele (a) estiver aberto (a) a esta sinceridade. Se não estiver aberto, não deve saber… Não estou aqui ditando regras, estou apenas apresentando alguns exemplos. Tudo é muito relativo, há tantas variáveis quanto relacionamentos.

O mais importante é você crescer como pessoa em todos os sentidos. E isso representa evolução de consciência. A pessoa em crescimento está sempre mudando externamente para manter-se cada vez mais fiel à sua verdadeira essência ou natureza. Assim, os relacionamentos em crescimento também estão sempre mudando, se adaptando aos novos estímulos da Vida. O mais importante é perceber se as mudanças que estão acontecendo provêm do seu eixo mais interno ou provêm de estímulos e modismos superficiais da sociedade à sua volta. Você pode mudar para ser cada vez mais você mesmo (a) ou você pode mudar apenas para corresponder a uma expectativa externa. No relacionamento deve haver um consenso entre adaptação de um ao outro. Tudo deve ser consensual para que não haja opressor (a) nem oprimido (a). Haverá dor? Sim, mas há muita diferença entre a dor do crescimento e a dor do sofrimento.

Joel Munhoz (Elóy)

No Sexo Tântrico O Homem Precisa Aprender Com A Mulher A Ser Água

A mulher é a grande iniciadora no tantra. O seu elemento correspondente é a Água enquanto o homem corresponde ao elemento Fogo. É por isso que no sexo profano comum o homem é muito afoito, logo quer penetrar e ejacular. A mulher precisa de mais tempo para ter a sua vagina lubrificada e pronta pra penetração. Por isso as carícias preliminares são tão importantes. E aí, homem varão macho alfa, tu estás preparado para ser um homem mais inteiro e mais verdadeiro? Porque fomos educados nesta cultura patriarcal a sermos o fodão e acabamos por não sermos fodão porra nenhuma. Você acha que ser fodão é meter numa vagina fria e seca e ejacular após no máximo 5 minutos de penetração? A mulher nem ficou pronta pro sexo e você já gozou. Aí ninguém pode ser feliz, nem você nem ela.

No sexo tântrico o homem precisa aprender com a mulher a ser água
A mulher por cima durante a penetração pode facilitar o arrefecimento do ímpeto masculino. Ela pode controlar os movimentos e fazer com que a relação seja mais duradoura e prazerosa, evitando inclusive a ejaculação precoce. É uma boa posição para o homem aprender a ser água. O mesmo vale para as relações gays masculinas com o homem passivo por cima.

O mesmo ocorre nos relacionamentos homoafetivos, predominantemente, é claro, entre os homens, já que as mulheres gays ou bissexuais se compreendem mutuamente. No relacionamento gay masculino o homem que penetra é o masculino e o homem que é penetrado é o feminino. Assim, o homem ativo é fogo e o homem passivo é água. Da mesma forma, nos relacionamentos gays femininos, a mulher ativa é fogo e a mulher passiva é água. O fogo é um elemento masculino, ativo, volátil, sua orientação é para cima. A água é um elemento feminino, passivo, denso, sua orientação é para baixo. No sexo comum o fogo não se mistura com a água. No sexo tântrico há uma mistura, uma alquimia porreta.

No sexo tântrico o homem precisa aprender com a mulher a ser água
Tantra arcano 11 A Força: a dama e o leão. A sutileza da força feminina. Ela domina a fera – tesão sexual – não com violência, mas com sutileza e principalmente compreensão, consciência.

O fogo está sempre pronto. A água demora um certo tempo para ser aquecida. O seu ponto de ebulição é de 100º centígrados ao nível do mar. A água tem o poder de arrefecer o ímpeto do fogo. Em demasia pode apagar o fogo, mas na dose certa é uma delícia. O homem que se deixa tocar pelos mistérios da água pode aprender coisas incríveis, delícias e mais delícias… Assim, o seu fogo se tornará positivo, servirá para aquecer a água até chegar no seu ponto de fervura. Nada mais frustrante e brochante do que o fogo para um lado e a água para o outro. Nada mais extasiante e excitante do que o fogo e a água se misturando numa dança erótica sagrada. Esta alquimia é o sexo tântrico. Somente assim o homem pode se aprofundar nos mistérios femininos (Shakti/Ísis) e a mulher nos mistérios masculinos (Shiva/Osíris)

Joel Munhoz (Elóy)